Projecto Para o Ensino Secundário
PROJECTO “CONTIGO NA ESCOLA”
2ª Parte
Período de Realização:
Ano Lectivo 2001/2002
Projecto em causa:
2ª Parte (2002)
A Companhia “Contigo-Teatro”, nesta segunda parte do projecto “Contigo na Escola”, continua comprometida com o seu principal objectivo: captar todos os géneros de público, sobretudo a camada adolescente, desenvolvendo temáticas do seu interesse e cuja actualidade permita aos jovens ampliar a reflexão acerca do ser humano e da sociedade. Entendemos que os programas da disciplina de Português A e B, de 12º ano, estão em consonância com esse mesmo objectivo. Basta referir a contemporaneidade dos textos que o integram, destacando-se entre eles um em particular: a obra dramatúrgica “Felizmente Há Luar”, de Luis de Sttau Monteiro.
OBJECTIVOS
DESCRIÇÃO DO PROJECTO PARA O ENSINO SECUNDÁRIO
Realização de um espectáculo destinado ao Ensino Secundário (especialmente ao 12º Ano), baseado na peça “FELIZMENTE HÁ LUAR” – Acto II – em Abril de 2002.
FUNDAMENTOS DRAMATÚRGICOS
A Influência de Brecht
A peça referida integra-se no contexto do teatro épico, dito “brechtiano”; trata-se de expor uma acção dramática de forma narrativa, tornando o espectador não apenas uma testemunha dos factos e acontecimentos, mas despertando-lhe igualmente uma forte necessidade de intervir nessa mesma acção.
O tema gira em redor de uma questão de ordem social, em que se demarcam bastante as classes dos indivíduos. Grosso modo as personagens dividem-se em dois grupos distintos, digamos até antagonistas: os que oprimem (porque detêm o poder) e os que são oprimidos. Isto obriga o espectador a tomar uma posição, a analisar as atitudes, confrontando-as com as suas próprias. Dito assim, é um teatro “exigente”, em que o envolvimento da plateia torna-se inevitável. O espectador do teatro épico, no meio do seu desconforto, é levado a pensar da seguinte maneira: “Nunca tinha pensado nisto. Não há direito de se agir deste modo. É insólito, quase inacreditável. O sofrimento deste indivíduo comove-me porque podia haver, sem dúvida, uma saída para ele. Esta arte é sublime: nada se compreende por si só. Rio daquele que chora. Choro daquele que ri.”
Na esteira deste teatro, contextualizado nos finais do século XIX, temos o contemporâneo “Felizmente Há Luar”, em que outra característica da dramaturgia inaugurada por Brecht se acentua: o distanciamento. Ou seja, o espectador não se identifica com as situações que visualiza, sente-se um estranho, e isso permite-lhe, através da consciência crítica, perceber que pode ser agente de intervenção e mudança.
O CONTEXTO DA PEÇA
Lisboa, ano de 1817. Pretexto para situar a Capital do País nos anos da ditadura salazarista. Nestas duas épocas há um paralelismo situacional: por um lado, o triângulo do poder absolutista (religioso, político e militar), pelo outro aqueles que lutam por um ideal de liberdade. O autor, Luis de Sttau Monteiro, contextualizou as suas personagens num tempo em que se sacrificavam inocentes para que o poder instituído prosseguisse a sua escalada de opressão e de obscurantismo. O inocente é o General Gomes Freire de Andrade. O seus “carrascos”: Principal Sousa (governador do Reino, que representa o poder da Igreja), Miguel Forjaz (o Governador), Beresford (Marechal).