Há sonhos que não deviam acabar… mas lá estamos nós de volta à realidade, depois de um acordar de um “Sonho” que se prolongou por mais de três meses.
Ao acordar, lembramo-nos de pormenores, cheiros e sabores, sensações que tivemos e que para sempre queremos recordar. Com o passar do tempo, essas lembranças esbatem-se, ficam impressões que, por vezes, nem sabemos definir nem descrever. Mas este foi um “Sonho” especial. Foi um sonho que uniu quase trinta pessoas numa “noite de verão” em pleno mês de inverno.
Diariamente, com algum esforço e sacrifício pessoal, lá fomos construindo um mundo diferente, sonhando com uma realidade que não a nossa, criando universos povoados por fadas e duendes que vivem a sonham lado a lado com o mundo real de nobres atenienses e artesãos trabalhadores. Vivemos, criámos, ultrapassámos os nossos próprios limites e, por alguns instantes, fomos outros.
Foram muitas horas de trabalho, muito esforço, mas também de alegre convívio e serena amizade, onde nos apoiámos mutuamente, onde partilhámos tudo e juntos construímos um “sonho” do qual não queríamos acordar.
Música, dança, coreografias, figurinos e guarda-roupa, marcações… tudo para que o trabalho final fosse do agrado de um público já fiel e para o qual continuámos a criar e com o qual mantemos viva esta paixão e este amor pelo Teatro.
Aquele palco do Baltazar Dias, que muito nos dá e a quem damos tudo, lá estava, mais uma vez para nos receber. Ultimas afinações, luzes, roupas, cenários… e atenção que o espectáculo vai começar. Finalmente solta-se a fantasia e derrama-se a magia.
Diariamente, durante 10 sessões, demos o nosso melhor, festejámos cada triunfo, gelámos em cada falha e em cada branca, apoiámos os maus momentos e estivemos sempre presentes nos bons.
É assim o Teatro, é assim a vida.
Realmente, há sonhos que não deviam acabar. Este terminou, mas não vamos deixar esquecer e esbater as recordações que nos deixou. Hoje, somos definitivamente pessoas mais ricas, pois o “Sonho de uma noite de verão” já ninguém nos tira. SN