Sinopse Dom Duardos
Numa audiência diante do Imperador Palmeirim, estando em disputa com Primaleão, Dom Duardos conhece Flérida, por quem se apaixona imediatamente e de quem fica vassalo. A partir daí, a verdadeira guerra que o cavaleiro toma como sua é a do Amor: conquistar a paixão de Flérida.
A Infanta Olimba sugere a Dom Duardos um estratagema para conquistar a paixão dessa mulher amada: o cavaleiro terá de fazer Flérida beber por uma taça mágica que, supostamente, terá de encontrar na horta de Flérida, a cargo de Julião e Constança Roiz, um casal de camponeses simples e felizes.
Entretanto outro cavaleiro, Camilote, vai à corte de Palmeirim mostrar que é vassalo de Maimonda, o “cume de toda a fealdade”, onde é escarnecido e enfrenta Dom Robusto, outro cavaleiro da corte que ousa desafiar a sua intenção e a sua amada.
As histórias cruzam-se e fazem-se entre sentimentos heróicos próprios dos cavaleiros, que se confrontam em duelos (Dom Duardos e Primaleão, Dom Robusto e Camilote), que sofrem por Amor e pela mulher amada (Dom Duardos e Flérida), a quem de bom grado se submetem.
Herdeiro de uma visão do mundo medieval, Gil Vicente habilmente a critica e subverte os valores que lhe são próprios. A paixão cavaleiresca, antes exclusiva das altas classes sociais, deixa de o ser para estar presente no Amor florido de Julião e Constança Roiz; o ideal da beleza da mulher, tão enaltecido pelo artificialismo do amor cortês, é escarnecido pela fealdade de Maimonda, que se auto-elogia a toda a hora, e pela defesa desse Amor feita por Camilote.
Não negando por completo essa mundividência medieval, Gil Vicente interpreta já numa visão renascentista, realçando a verdadeira dimensão humana, onde a sinceridade dos sentimentos é valorizada e o Amor vence as verdadeiras batalhas: omnia vincit Amor.
DOM DUARDOS no TEATRO a partir de 17 de Novembro de 2010.
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