2003
O Avarento – de Molière

Molière (1622-1673), pseudónimo adoptado por Jean Baptiste Poquelin, autor e director teatral francês, nascido na cidade de Paris, um dos maiores génios da história da comédia teatral e da dramaturgia universal. Filho de uma família abastada, desde cedo pôde dedicar-se ao teatro, entrando para uma companhia teatral aos vinte e um anos de idade. Após uma longa “tournée” da “troupe” à qual se havia unido, Molière volta a Paris em 1658, onde o Rei Luís XIV lhe oferece, mais tarde, o Teatro do Palácio Real para as apresentações teatrais da “troupe”. Tal facto, influenciou o seu percurso: decide dedicar-se inteiramente ao teatro cómico até ao fim da sua vida. O contacto com a vida na corte e com a burguesia emergente que a circundava forneceu a Molière o material para as suas sátiras à vida burguesa, dela colhendo tipos, como os burgueses emergentes presunçosos na sua falsa erudição (em “Le Bourgeois Gentilhomme“), as damas afectadas, macaqueadoras da erudição literária (em “Les Précieuses Ridicules” e “Les Femmes Savantes“), os avarentos (“L’Avare“, obra baseada na comédia de Plauto), os beatos com a sua hipocrisia e as suas intrigas nada teológicas (em “Tartuffe“) e os médicos com a sua arrogância e charlatismo (em “Le Malade Imaginaire” e “Le médecin malgré lui“).
Nas suas comédias, Molière teve, por influência, sobretudo as obras de Aristófanes, Plauto e Terêncio, ao mesmo tempo que foi fortemente influenciado pela commedia dell’arte italiana. Escreveu peças tanto em prosa como em verso, recorrendo muito aos alexandrinos. Molière é um dos autores responsáveis pela nova sobrelevação da comédia como um género na verdade sério, ao utilizar o riso como um convincente instrumento de crítica aos costumes sociais.
Breve Sinopse de “O Avarento”
A acção decorre em Paris, no Século XVII. Harpagão é um velho viúvo, pai de familia, o qual mantém bem fechados os cordões à bolsa. Não que seja indigente: ganha bastante bem a vida como usuário. À sua família impõe o peso duplo de uma absurda pobreza e de uma vivência quase clandestina. No dia em que anuncia o casamento da sua filha com o velho com que a comprometera sem ela saber, e destinado ao seu filho a uma viúva qualquer, também sem o seu consentimento, a revolta começa a soar na sua casa. Poque os filhos de Harpagão já não podem mais com a tirania do pai, a qual começa a ressentir-se na sua vida amorosa…
Rever “L’Ávare” de Molière, é percorrer com um olhar crítico a nossa contemporaneidade. O viver simplesmente, sem dessa mesma existência emergirem preocupações de índole filosófica, isto é, evitando o irromper da racionalidade especificamente humana; a imediatez da acção em função, diríamos nós, quase do acaso e de valores menores (o dinheiro, a paixão e o desejo); a degradação acentuada das relações humanas apenas sustentadas na base de um mercantilismo levado ao extremo; a imposição e sobreposição de vontades que sistematicamente se cruzam com consequências cómicas, no caso da peça encenada, nefastas e trágicas nos nossos dias; tudo é perpassado com o olhar crítico e irónico de Molière (contextualizado numa época específica) e, obrigatoriamente do espectador que, face ao texto e representação desta obra, não deverá deixar passar a oportunidade de ser reflectida a sua vida quotidiana, com os sues vícios e virtudes, vida esta jogada em palco e quase sempre negada à consciência.
José Luís Fernandes
Ficha Técnica:
Autoria do Texto: Molière – Jean Baptiste Poquelin (1668)
Adaptação do Texto e Encenação: Maria José Costa e José Luís Fernandes
Interpretação: Alicia Franco (Mariana), António Neto (Comissário), Fernando Araújo (Pé-DE-Aveia), Fernando Rodrigues (Cleanto), José António Rodrigues (Mestre Tiago), José Luís Fernandes (Valério), Lídio Araújo (Mestre Simão/Sr. Anselmo), Maria José Costa (Eufrasina), Sandro Nóbrega (Harpagão), Sofia Gouveia (Elisa), Ricardo Sales (Flecha) e Vanessa Sales (Sra. Cláudia).
Direcção de Actores: Teresa Jardim
Concepção e execução da cenografia: Alzira Maltez e Marcela Costa
Design Gráfico: Filipa Freitas
Concepção dos figurinos: São Gonçalves
Confecção dos figurinos: Atelier AIBORDA
Concepção e execução de adereços: Diana Sousa
Caracterização: São Gonçalves
Desenho de Luz: Teresa Jardim
Assessora de Imprensa: Alexandra Costa
Produção: Vanessa Sales, Eliana Siqueira e João Tovar (Contigo-Teatro)
Contra-Regra: Carina Sales
Sonoplastia: Marco (XL) Nóbrega
Luminotécnica: Ricardo Martins e António José Freitas (TMBD)
Montagem de Cena: Humberto Alturas, Júlio Freitas (TMBD), Braúlio Alturas
Carpintaria: Braúlio Alturas/ Departamento de Obras Públicas da C.M.F.
Apoio geral aos espectáculos: Funcionárias do Teatro Municipal Baltazar DiasProdução com o apoio do Departamento de Cultura da C.M.F e Teatro Municipal Baltazar Dias.
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